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César Bortoluzo

opinião

Publicado: 18/07/2017 às 15h46min

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Superlotados

Estamos em falta de um projeto de Nação, de uma Cultura Brasileira que preze a integridade, o respeito e a eficiência

Tem certas coisas que, de tão repetitivas são maçantes. E é impressionante a incapacidade e a falta de vontade que temos em nosso país de encarar os fatos e arrumar o que está errado. Ou seja, fazer funcionar a bagaça!

Para delícia de muitos meios de comunicação, ou melhor, mídias, sempre tem uma oportunidade de noticiar que os prontos socorros do país andam com superlotação, cheios de gente sofrendo. À imprensa cabe noticiar, aos envolvidos caberia resolver.

Então, deixando a prosa de lado, vamos ao didatismo:

Imediatismo: ninguém quer saber de ir ao posto de saúde ou consultório quando está sem dor. Não dá pra perder tempo com essas conversas de prevenção!

Pobreza técnica: faculdades de saúde estão produzindo profissionais com baixa capacidade para diagnosticar e tratar doenças simples ou complexas. “Não dá pra saber se é grave ou se é besteira!”

Falta de sequência: a assistência é feita em forma de plantões, verticalizada. Amanhã vem outra equipe e muda tudo, ou pior, nem sabe tudo o que tem sido feito.

Fragmentação do cuidado: agora não é mais comigo! Precisa de um parecer do megaespecialista ou então é um caso pra Psicologia. “O que eu podia fazer eu já fiz. Cada um no seu quadrado!”

Judicialização: fica proibido morrer alguém e, se morrer, temos que achar um culpado! “Epa, vamos pedir mais alguns exames e observar mais uns dias pra ver se não dá zebra!” Pode isso, Arnaldo?

(In)cultura de segurança: as doses dos remédios são mais ou menos as mesmas. Se faltar, completa, se passar, corrige! “Ah, aproveita aí, e marca no prontuário que foi feita a injeção…”

Qualificação técnica deficiente: assumir que não sabe fazer é melhor do que achar que sabe fazer o que de fato não sabe. Principalmente se for pra mexer no corpo das pessoas.

Lutar até esgotar: ser obstinado e nunca desistir, não parar de fazer exames, de prescrever remédios, de operar. Vale tudo na luta contra essa danada Morte! Ah, mas o pobre moribundo está sofrendo com tanto procedimento! “Não importa, lutaremos até o fim! Fizemos um juramento.”

Vejam que nessa crua relação de conceitos, o que mais choca é que todos estão aplicados à questão da saúde, do sofrimento físico, da vida e da morte. Então, isso acontece porque pessoas más tem um prazer sádico em se tornarem profissionais da saúde pra torturar os outros?

Os profissionais da saúde são pessoas que fazem parte de uma sociedade, de uma nação, de uma cultura. Podem e devem ser treinados para absorver uma nova cultura de efetividade, de excelência técnica, de comprometimento com qualidade e segurança, de humanidade e respeito, mas trazem em si os valores que aprenderam e que praticam na vida pessoal e social.

A sociedade como um todo precisa desenvolver esses predicados, essas qualidades. Estamos em falta de um projeto de Nação, de uma Cultura Brasileira que preze a integridade, o respeito e a eficiência. Estamos superlotados de incompetência e falta de vontade.


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sobre César Bortoluzo

é médico graduado pela USP, especialista em Cirurgia Geral e Urologia, além de Gestão em Serviços de Saúde pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Há 20 anos atua na área, tendo se concentrado na gestão de hospitais públicos e privados. Atuou recentemente na implantação de gestão por OSS em oito grandes hospitais do Rio de Janeiro tendo, pelo desempenho, expandido sua atividade para outros estados brasileiros. Tem como foco a obtenção de resultados clínicos de excelência, ou seja, o melhor resultado na recuperação do cliente final, o paciente. Acredita e demonstra que a melhoria de indicadores de excelência em administração hospitalar é consequência dos resultados clínicos.

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