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Marcelo Freire

opinião

Publicado: 03/03/2017 às 07h00min | Atualizado 06/03/2017 às 09h53min

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As famílias em áreas de risco e a falta de habitação

As áreas mais afetadas já são bem conhecidas da população e os problemas se repetem todos os anos. O poder público tem conhecimento

A Defesa Civil de Porto Velho começou esta semana a notificar os moradores que residem em locais de risco por conta do aumento acelerado, nesta época do ano, do nível do rio Madeira. As áreas mais afetadas já são bem conhecidas da população e os problemas se repetem todos os anos. O poder público tem conhecimento da demanda.
Ao assumir o comando do município, o prefeito Hildon Chaves (PSDB), um dos primeiros atos da administração foi retirar as famílias que estão residindo em áreas localizadas nos canais por onde é escoada toda a água da chuva. Essas áreas oferecerem perigo à saúde da população e foram ocupadas de forma irregular justamente por conta da falta de fiscalização do poder público.
Na época da enchente histórica do rio Madeira, em 2014, quando o nível do rio chegou a 19,65 metros, o ex-prefeito Mauro Nazif (PSB) resolveu derrubar as casas que estavam em área de risco no bairro do  Mocambo. Alguns moradores foram transferidos para conjuntos habitacionais e outros ficaram na casa de parentes, mas hoje ainda é grande o número de família que está residindo em áreas atingidas pela força da água.
Todos os anos a Defesa Civil alerta as famílias que vivem nos bairros da Balsa, Nacional, Vila Candelária e Vila do Santo Antônio. Ao receberam a notificação, essas famílias deixam suas residências, mas quando o nível do rio Madeira reduz, elas retornam novamente para o mesmo local e ficam aguardando a próxima enchente. Essa prática já se tornou comum nos bairros de Porto Velho e não será missão fácil quebrar esse ritual.
Muitas famílias foram cadastradas em programas sociais de habitação, mas o processo de entrega das chaves é lento. Algumas obras do programa federal “Minha Casa, Minha Vida”, foram paralisadas por indícios de irreglaridades. Outras, a exemplo do que ocorre no residencial localizado na rua Três e Meio, estão abandonadas. Na gestão passada, a Polícia Militar montou uma operação de guerra para retirar as famílias do local. Já se foram mais de dois anos e o que restou do condomínio continua abandonado pelo poder público e sem previsão de retomada da obra.
Enquanto o problema não é resolvido pelos gestores públicos, as unidades de saúde enfrentam superlotação de pacientes com problemas de saúde em decorrência da falta de saneamento básico e água tratada. O governo gasta milhões com medicamentos para tratar pacientes que residem em áreas que não contam com as mínimas condições de higiene. Os direitos à saúde, garantidos na Constituição Federal, passam bem longe dos bairros da Balsa, Nacional, Vila Candelária e Vila do Santo Antônio.

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