6O rio Madeira vai chegar na avenida Sete de Setembro e o nível da água deve aumentar mais 2 metros. Trata-se da maior enchente dos últimos cem anos na região”. As informações são do prefeito de Porto Velho, Mauro Nazif, que realizou uma reunião na última segunda-feira com órgãos estaduais e municipais, mais o Exército e a Marinha, e formou um comitê gestor dos trabalhos de retirada de pertences e apoio para as famílias atingidas pela água. A expectativa é de que 600 moradias sejam impactadas. Desde a última quinta-feira, a Defesa Civil do Município, juntamente com soldados do Exército, estão trabalhando nos bairros mais atingidos da cidade: Nacional, Triângulo, Panair, Balsa e São Sebastião. As alagações também estão ocorrendo nos distritos, no Alto e no Baixo Madeira.

De acordo com o prefeito Mauro Nazif, hoje o comitê gestor das alagações deverá se reunir novamente e a Santo Antônio Energia, concessionária da hidrelétrica, também foi convocada a participar do encontro. “Estamos buscando parceiros e fazendo o que for possível para evitar que as pessoas sofram danos pessoais e materiais”, afirmou. Ele informa que paralelamente corre outra discussão com a Santo Antônio Energia sobre o impacto da usina sobre a cidade. Para o prefeito, as operações na hidrelétrica aumentam a velocidade da água do Madeira e a empresa terá que pagar pelo “trauma que está trazendo na margem direita e esquerda do rio”.“Porto Velho não abre mão desta cobrança e entedemos que eles são parte responsável por tudo isso”, ressaltou. Por sua vez, a concessionária nega a responsabilidade, mas afirma que se ficar comprovada a influência do empreendimento, a cidade será ressarcida. Atualmente, o Ministério Público Estadual está realizando um levantamento sobre o assunto.

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Pier da Madeira-Mamoré está interditado

Na tarde de ontem a prefeitura interditou parcialmente a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, depois que a água avançou embaixo do madeirame do pier da praça. A população e parte dos comerciantes foram retirados do local. A interdição aconteceu após uma vistoria do secretário municipal de Desenvolvimento Econômico Social e Turismo (Semdestur), Antônio Geraldo Afonso. “Está muito perigoso”, alertou.

De acordo com o secretário adjunto da Semdestur, Eduardo Rauen, a interdição do ponto turístico é por tempo indeterminado e o objetivo é proteger os moradores da força das águas. Durante a tarde uma equipe da Semdestur retirou objetos do museu da Estrada de Ferro. “A priori vamos retirar os objetos que são mais fáceis de se perder em contato com a água. Vamos levar os quadros e documentos daquela época, em seguida vamos retirar o restante”, finalizou o Rauen.

A área interditada é parte de píer, onde os barcos ficam atracados, local costumeiro de visitação e onde a população costuma tirar fotos. No local, a correnteza está tão forte que quase destruiu um barco atracado na encosta. Para evitar prejuízo maior, o dono mergulhava para buscar as madeiras e recuperar a embarcação. “Trabalho há 40 anos com embarcações aqui no porto e nunca vi o rio Madeira nessa situação, muito menos no período de fevereiro. Estamos nas mãos de Deus. Os prejuízos são enormes e não sei o que fazer”, disse Raimundo Ferreira Lopes, proprietário do barco.

Essa não é a primeira vez que Raimundo tem prejuízo em razão da mudança de comportamento do rio Madeira. “Desde que começaram a construir essas usinas o rio mudou muito. Capitão Lira (o barco antigo) não resistiu aos banzeiros e afundou. Não quero que isso aconteça com esse. Só tenho este barco para levar a comida para minha família”, finalizou Lopes.

O dono de outra embarcação, José Ribeiro confirma que nunca presenciou a atual situação do Madeira. “Tenho mais de 25 anos trabalhando aqui e até hoje não vi o rio nessa situação. O que me preocupa é que ainda estamos em fevereiro, imagina o que ainda deve acontecer até abril?”, indaga Ribeiro.

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Enchente na EFMM virou atração turística

A antiga caldeira da ferrovia que foi parar dentro d`água foi removida para uma parte mais elevada e seca. Como a perspectiva é de que o rio invada o complexo, os artesãos da Feira do Sol foram alertados da possibilidade de o rio atingir parte da praça.

No porto do Cai N`Água, a enchente virou atração turística. Centenas de pessoas visitam o local para fotografar o rio, que já avança em algumas ruas. De acordo com o secretário Geraldo Afonso, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico Social e Turismo (Semdestur) a prefeitura ficou de providenciar ainda ontem um caminhão para os comerciante do Shopping Popular retirarem as mercadorias do local. O prédio está ilhado desde sábado. Na noite de segunda-feira, comerciantes reclamaram da falta de segurança para a retirada das mercadorias. Desde o dia primeiro de fevereiro, o rio subiu de 15,60 metros para 16,94, registro feito na manhã de ontem em Porto Velho.

Ainda ontem, a previsão do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) era de o nível do rio alcançar a marca de 17 metros, conforme explicou a coordenadora de operações, Ana Cristina Strava. As fortes chuvas devem persistir pela próximas duas semanas. A previsão é que em até dez dias o nível do Madeira entre na metragem histórica de 17,57, registrada 1997.